" 14 de janeiro de 2009
Você vai viajar por aí e lhe desejo sorte. De todo modo, eu estava sentado na sala, bebendo água, luz apagada e o ventilador girando de modo imbecil no teto. Foi quando comecei a olhar pras estrelas, e lembro de já ter escrito algo sobre elas e como elas me remetiam a você. Então, Nádia? Será que você nunca vai sair daqui... da cabeça desse teu amante? O melhor beijo sempre foi o teu. Mas o que será do meu? Nunca amei ninguém tão intensamente como amei você, e ainda amo muito, por sinal. Como, me explica, podemos deixar isso tudo de lado? Se você me ama tanto, assim como te amo tanto, por que deixar-mos de lado? A cada dia venho perdendo o meu rumo. E, desesperadamente, não sei como fazer algo para evitá-lo. Sim, é difícil, meu amor. E o que faço eu? Não sei, realmente. Quando, recentemente, nós tentamos voltar, e por qual causa não sei, você não quis, sob a premissa de que "o fato de voltar comigo incomoda", eu depositei tudo nisso. Voltaria para casa da minha mãe, faria meu curso, seria um rapaz ideal para que um dia você pudesse falar que é casada com o professor do bloco ao lado. Então, você contaria nossa história? Mas agora... que história contarei? Teu grande amigo já não tem o que contar. E agora, deposito tudo em ti. Espero que você, como já disse, faça bem sua viagem, escolha bem com quem se envolve e sempre, sempre, se mantenha bem e saudável, com boas perspectivas.
Hoje, lembrei muito de ti. O hoje tem tua cara, sempre.
Devotamente."
Vazio toma o quarto
Apos ler essa folha velha, guardada em um de meus livros
Imagino como seria se nada disso tivesse acontecido.
Traição e perdão. Perdão e humilhação.
Orgulho era extinto, junto com o amor próprio.
Mas de que pensava eu, de um sentimento tão intenso e "puro" (puto)
Amar realmente não era nada daquilo que eu passava.
Renunciei, foi difícil. Pra caralho.
Não imaginei que fosse tão difícil assim.
O dia 23 de outubro se tornou a data de minha libertação.
Com isso uma alegria muito maior...
Uma coisa que tinha sido roubada de mim a muito tempo...
... Filho da puta.
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